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Ambiente Inovativo na Indústria

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

No contexto mundial de competitividade acirrada e globalização, onde poucas organizações permanecem vivas; pois a maioria é atraída para a "vala comum da competição", onde são permanentes as estratégias desesperadas de sobrevivência – guerra de preços, concorrência desleal, condutas empresariais não éticas; só sobreviverão aquelas empresas em que seus proprietários estejam atentos ao ambiente externo e que investem na inovação como um dos alicerces para garantir a consolidação de seu empreendimento.

Dessa forma, compete ao empresário fazer da Inovação parte integrante da cultura de sua empresa. No entanto, vários questionamentos podem surgir, como por exemplo: Como a inovação pode contribuir para aumentar a competitividade da minha empresa?

• Quais as estratégias de inovação mais adequadas que podem ser utilizadas para que a minha empresa consiga ser competitiva?
• É possível à pequena indústria inovar? Tem recursos disponíveis para isso?
• Como estimular a inovação? Como tornar a minha empresa uma empresa inovadora?
• Como implantar a Inovação de forma sistemática na minha empresa?

Essas e outras questões podem ajudar as empresas neste exercício de reflexão. Para a empresa crescer, evoluir e sobreviver, ela precisa enfrentar os desafios da concorrência.

Mesmo para uma pequena empresa industrial, com foco regional, a globalização se torna parte de sua rotina a partir do momento que um concorrente, em qualquer lugar, passa a disputar seus clientes em seu próprio mercado. Portanto, a redução de custos, por si só, não é mais suficiente. Para que a empresa sobreviva e evolua, a inovação é a maneira pela qual ela pode agregar mais valor aos seus produtos e processos. Ser "diferente" para ser "melhor"!

Quais são os "sinais" que apontam a hora de inovar? Quando a operação atual da empresa não traz mais resultados satisfatórios, posicionando-a abaixo da média do segmento; Quando o balanço entre saídas e entradas de clientes é negativo; Quando as novas tecnologias tornam obsoletas os seus produtos e processos. Vários ganhos de vantagem competitiva podem ser obtidos por meio da Inovação, tais como a criação de novos mercados, aumento de participação de mercado, aumento da capacidade de inovar, etc.
Pesquisas indicam que a pequena empresa industrial inova pouco, ou seja, somente uma pequena parte de seu faturamento médio advém de produtos inovadores.

O que pode ser feito, então para melhorar este cenário? Criar diretrizes, estratégias, sistemáticas, procedimentos e ferramentas da Inovação.
• Criar um grupo de pessoas para gerir este esforço da Inovação – Comitê da inovação.
• Criar canais para captar ideias sobre inovações junto a clientes, funcionários, fornecedores e a sociedade.
• Criar mecanismos para selecionar estas ideias, aproveitando as que oferecerem maior potencial de impacto na competitividade empresarial.
• Dispor de ferramentas de incentivo à inovação, tais como: criatividade, disseminação de informações, treinamento e atualização contínua, e reconhecimento e recompensa.
• Criar sistemáticas para selecionar e acessar os recursos necessários para implementar as inovações.
• Criar estrutura de projeto para assegurar que a inovações serão implementadas.
• Monitorar, através de indicadores, a implantação da inovação.
• Monitorar os impactos da inovação no faturamento, rentabilidade, participação no mercado, etc.

Enfim, a vantagem competitiva acontece por meio de uma estratégia diferenciada, de fazer e vender o que seus concorrentes não têm e comprovar que sua empresa possui todas as condições para inovar.
Mas afinal, o que é Inovação? Inovação é invenção? Inovação está diretamente associado com tecnologia? Qual o conceito de inovação que deve ser considerado para que a empresa saiba nortear seus esforços para criar um ambiente inovativo?

Segundo o Manual de Oslo, Inovação é a implantação de um novo produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional do local de trabalho ou nas relações externas".

Para o Fórum de Inovação da Eaesp- FGV(Escola de Administração de Empresas de São Paulo), Inovação é uma equação cujos membros não podem ter zeros: Inovação = Ideia x Implantação x Resultado.
Ou seja, para que seja considerada uma inovação a ideia tem que ser implantada e dar resultados que impactem de forma significativa na competitividade da empresa – faturamento, margem de Lucro, custos, participação de mercado, etc. Portanto, se você acredita nisso e está disposto a fazer alguma coisa agora, pense e aja! Procure mais informações em instituições que possam ajudá-lo e lembre-se: uma grande caminhada sempre se inicia com o primeiro passo.

Fonte: (1) Fórum de Inovação – Eaesp/FGV; (2) Manual de Oslo (2008); (3) Apontamentos diversos de minha autoria.


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Impactos da Competitividade das Micro e Pequenas Empresas Industriais - Fator China 

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

O Brasil conta hoje com um universo de 5,1 milhões de empresas, sendo que 98% delas são micro e pequenas empresas e representam 2/3 das ocupações, segundo dados do Sebrae. O Estado de São Paulo tem hoje 1,7 Milhão de empresas, sendo 98% delas MPE, assim divididas: comércio 43%, agronegócios 14%, serviços 31% e indústrias 12%.
Reportagem do jornal Folha de São Paulo (25/7/2011); Poder A9 – "Indústria do País perde de Concorrentes" - traz importantes informações sobre a competitividade de países Emergentes. Ela se refere aos indicadores de produção industrial entre os chamados países emergentes (Fonte: Markit, Instituto Mexicano de Ejecutivos em Finanzas(IMEF), Bank Hapoalin). O estudo mostra que o Brasil ficou em último lugar neste ranking.

A análise feita por Eduardo Costa Pinto, pesquisador do IPEA, mostra que a Indústria Brasileira está em numa encruzilhada, pois o crescimento econômico dos últimos anos permitiu um crescimento da produção, mas não o suficiente para acompanhar a expansão da economia como um todo. Ele cita alguns fatores que contribuíram para isso:

• O Dragão Chinês: considerado a "Fábrica do Mundo".
• Vertiginoso crescimento das importações(necessidades de produção e consumo das famílias).
• Vertiginosa diminuição das exportações de manufaturados.
• Valorização do Real; taxas de juros e câmbio elevadas; o peso dos impostos.
• Desindustrialização – perda de participação da indústria na formação do PIB - de 17,1% no terceiro trimestre de 2008, para 15,6%, no primeiro trimestre de 2011.
• A indústria importou mais do que exportou – Déficit de US$ 4 bilhões em 2009 para US$ 30,4 bilhões em 2010.
• Gargalos na infraestrutura – estradas, portos, aeroportos, armazenagem, energia, etc.

Ele conclui sua análise dizendo que está cada vez mais difícil concorrer com as manufaturas chinesas.

Outra reportagem do jornal Folha de São Paulo (07/09/2011), ilustra bem o impacto do fator China nas nossas relações comerciais externas e consequentes repercussões internas. A reportagem cita a pauta do comércio exterior China X Brasil: o que o Brasil vende para a China e o que a China vende para o Brasil.

Basicamente vendemos "commodities" e importam produtos com alto valor agregado; vendemos minério de ferro e importamos chapa de aço! Como enfrentar isso? Entregar os pontos? Unir-se ao "inimigo"? Mudar de negócio? Esta situação de competição chinesa e globalizada não é uma onda qualquer, um "tsunami" devastador, porém passageiro; é uma tendência que veio para ficar e como em qualquer ecossistema, sobreviverão os mais capazes!

Empresas com foco bem definido, estruturadas, com clara identificação dos clientes e suas necessidades, oferecendo produtos com alto valor agregado, com logística integrada e eficiente, trabalhando de forma colaborativa com outras empresas do segmento ou de sua cadeia produtiva, enfim, trabalhando sistematicamente e de forma contínua com Inovação.

A pequena indústria brasileira ainda tem boas chances para sobreviver, crescer e fazer a diferença; para isso basta atentar para os principais fatores que nos distanciam dos nossos concorrentes: tecnologia defasada, baixa qualidade, baixa qualificação das pessoas, altos custos, infraestrutura precária e outros e identificar focos de oportunidades neste cenário sombrio: O que posso fazer melhor? Quais as minhas competências? Como agregar mais valor? Isto nos remete a reflexões e decisões – pensar e agir!
A estratégia do avestruz, aquele animal que enfia a cabeça no buraco para enfrentar ameaças, não cabe mais.

Fonte: (1) Jornal Folha de São Paulo; (2) Sebrae-SP, 2011 (3) Apontamentos diversos de minha autoria.


Normalização Técnica, Competitividade e Inovação

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

Normalização é a base para a Garantia da Qualidade. É o processo de estabelecer e organizar as atividades pela utilização de regras ou normas de cunho técnico, visando contribuir para o desenvolvimento econômico e social. A normalização proporciona uma adequada comunicação entre clientes e fornecedores e permite a eliminação de barreiras comerciais, entre outros. O crescimento expressivo da certificação pelas normas técnicas da série ISO na pequena indústria é uma evidência objetiva da sua capacidade de superação dos desafios da inserção no comércio internacional.

A criação das Normas Técnicas deve ser efetuada com a participação de diversos interessados, ou seja, fornecedores, compradores, o governo, os institutos de pesquisa, etc. Estes interessados, atuando de forma voluntária, decidem estabelecer consensualmente as Normas por perceberem vantagem na existência delas e por acreditarem nos seus efeitos positivos. No estabelecimento destas normativas o uso da tecnologia é feito para estabelecer de forma objetiva e neutra o que se espera de cada produto, processo ou serviço.

Podemos considerar como objetivos da Normalização Técnica: Facilitar a Comunicação entre fornecedores e compradores ao estabelecer uma linguagem comum e padronizada.

• Simplificação ao reduzir as variedades de tipos de produtos e procedimentos técnicos; ganha o fabricante e o consumidor.
• Proteção ao Consumidor ao estabelecer requisitos mínimos esperados pelo produto.
• Segurança ao estabelecer os requisitos para proteção do consumidor e do meio ambiente.
• Economia ao se padronizar e racionalizar insumos, processos e produtos.
• Eliminação das Barreiras Comerciais pela aderência aos padrões internacionais, diminuindo as manobras protecionistas.

A utilização da Normalização Técnica também traz impactos variados: Impactos sobre a Economia com melhor qualidade, quantidade e regularidade de produção; equilíbrio entre a oferta e a procura; aumento da competitividade no mercado nacional; redução de litígios; crescimento da produtividade nacional.

• Impactos sobre a Produção com a eliminação de desperdícios; padronização da documentação técnica; redução de custos; aumento da produtividade; base clara para a concorrência, evitando assim a concorrência desleal.
• Impactos sobre o Consumo com facilidades de acesso a dados técnicos padronizados; redução de preços; padronização de pedidos; possibilidade de comparação objetiva entre produtos, processos ou serviços; redução de prazos de entrega; garantia da qualidade, regularidade, segurança e integridade.

Mas afinal, que benefícios são proporcionados as empresas industriais que aderem à cultura da Normalização Técnica, como instrumento de aumento de competitividade e Inovação? Podemos dividí-los em dois: Benefícios Qualitativos são aqueles que mesmo sendo observados não podem ser medidos, ou são de difícil medição.

Exemplos: a utilização racional de recursos; a eficiência na produção; uniformidade do trabalho pela padronização das Normas; registro do conhecimento tecnológico; melhoria do nível de capacitação do pessoal; melhor controle dos produtos e processos; maior segurança do pessoal e dos equipamentos, e Benefícios Quantitativos, que são aqueles que podem ser medidos.

Como exemplo, temos: a redução do consumo e do desperdício; especificação e uniformização de insumos produtivos; padronização de componentes e equipamentos; redução de variedades de produtos; aumento da produtividade; melhoria da qualidade de produtos, processos e serviços; melhoria da comunicação entre fabricante e consumidor.

No Brasil o organismo oficial que trata do assunto Normalização Técnica é a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas (www.abnt.org.br). Neste sítio, as pequenas indústrias poderão obter informações sobre as séries de Normas, sua aquisição e oportunidades de capacitação.

Para a micro e pequena indústria nacional utilizar a Normalização Técnica em sua operação proporciona também oportunidades de inovação, já que ao observar as normas e seus requisitos e exigências, a indústria tem um referencial de excelência para buscar diminuir seus "gaps" em sistemáticas e práticas de gestão.

Diversas empresas brasileiras, como a Petrobrás e a Vale, exigem a observância de normas técnicas na sua cadeia produtiva; portanto, aderir a este procedimento é uma forma de mostrar competitividade estrutural.

Fontes:(1) Normalização – Conhecendo e aplicando em sua empresa – CNI, 2ª. Edição, 2002 (www.cni.org.br).(2)Projeto ABNT/SEBRAE – A Normalização como instrumento de Inovação e Competitividade na MPE – Junho 2011


Recursos para inovação em micro e pequenas empresas

Por Vadson Bastos do Carmo - Consultor Sebrae-SP

A Inovação está em pauta em diversos meios de comunicação e entra como prioridade nas agendas das empresas privadas e entidades públicas, porém nas micros e pequenas empresas ainda é reduzida a sua efetividade.

Em uma primeira análise, pode-se entender que, na realidade das micro pequenas empresas, para que ocorra a Inovação é necessário que se tenha muitos recursos financeiros, físicos e humanos, e que isto só é possível para as grandes empresas, que possuem estruturas específicas para Pesquisa & Desenvolvimento & Inovação (P&D&I).

É óbvio que uma estrutura específica para P&D&I requer investimentos na qualificação de profissionais e pesquisadores, instalações específicas para o desenvolvimento de produtos e processos e também recursos financeiros adequados para os projetos e pesquisas, que, muitas vezes não trazem resultados imediatos.

Para a realidade de uma micro ou pequena empresa, se estes investimentos tiverem que ser próprios, provavelmente ficarão em segundo plano pois os recursos são escassos e as atividades operacionais acabam sendo priorizadas.

Para mudar este paradigma, uma alternativa é buscar parcerias com agências de fomento, entidades científicas ou pesquisadores para a promoção do projeto de pesquisa ou inovação.

Estes recursos, humanos e financeiros, podem ser acessados pelas micro e pequenas empresas que apresentarem seu projeto e forem aceitos pelas agências de fomento, como no caso da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Dentre outros tipos de apoio à pesquisa tecnológica, disponibiliza o Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), que foi criado em 1997 e destina-se a apoiar a execução de pesquisa científica e/ou tecnológica em pequenas empresas sediadas no Estado de São Paulo.

Este apoio acontece de maneira a cobrir as despesas com o salário (bolsa) do pesquisador e recursos financeiros para compra de insumos e equipamentos inerentes ao projeto de pesquisa ou inovação, compreendendo ainda, recursos para despesas de viagens e participação em congressos e visitas específicas.

Os recursos são disponibilizados em três etapas, incluindo na primeira até R$ 125.000,00 para a análise de viabilidade técnico-científica do projeto.

Na segunda etapa, podem ser obtidos até R$ 500.000,00para o desenvolvimento do projeto. Para receber o financiamento para a FASE 2, a pequena empresa terá, ainda, que apresentar um Plano de Negócios para a comercialização dos novos produtos e descrever como a empresa vai obter os financiamentos necessários para a sua viabilização na terceira fase do projeto.

Como podemos demonstrar, existem alternativas para estimular a inovação nas micros e pequenas empresas e que, de certa forma, facilitam a obtenção dos recursos necessários para a efetivação das inovações, que, cada vez mais, se tornam essenciais para a sobrevivência e manutenção da competitividade.

Acesse o site FIPE/FAPESP


Tendências em inovação: Economia Verde

Por Vadson Bastos do Carmo - Consultor Sebrae-SP

A "nova economia verde" já é uma realidade e tem demonstrado um crescimento na demanda por novas atividades e perfil profissional. Segundo estudos realizados por KAMMEN e ENGEL (2009), na Universidade de Berkeley, foram criados no mercado os chamados "empregos verdes" ou "green jobs", devido ao aumento considerável de energia limpa.
O estudo mostra, ainda, que países como a Dinamarca, Alemanha e Espanha, têm investido nos últimos anos na geração de 40,1 GW de energia limpa e a criação de 133.100 empregos (Tabela 1). Esta geração de empregos é chamada de "economia verde".
Tabela 1: Análise comparativa entre energia e empregos gerados por país

País Energia limpa gerada (GW) Empregos criados
Alemanha 22,3 80.000
Espanha 14,7 31.500
Dinamarca 3,1 21.600

Fonte: KAMMEN e ENGEL (2009)
Estes investimentos demonstram a importância da redução da dependência de fontes fósseis de energia não-renováveis, como o petróleo e carvão mineral, ajudando os países a encontrarem alternativas para a substituição gradativa por fontes de energia mais limpas e renováveis.

Neste contexto mundial, estes países estão definindo suas competências essenciais para atuarem de forma competitiva mediante energia limpa e renovável.

Já o Brasil, que tem a grande vantagem comparativa à abundância de recursos naturais, tanto hídricos quanto de biomassa renovável, ainda necessita de mais investimentos e inovações neste setor.

Portanto, para que seja incentivado o crescimento econômico, social e ambiental na forma produtiva, competitiva e sustentável, deverão ser desenvolvidas competências específicas e inovadoras para a geração de novas fontes de energias renováveis, transformado-as em oportunidades regionais, conforme MAPA (2005):

"...no tocante à dimensão geográfica deve-se atentar para tecnologias adequadas aos diferentes ecossistemas e ambientais. A interface ambiental das tecnologias a serem desenvolvidas deve atentar para os quesitos de proteção do ambiente e redução de danos. Do ponto de vista social, o programa de P&D&I deve levar em consideração a necessidade de ampliar as oportunidades de emprego e renda"...

Dependendo da região, devem ser explorados uma determinada fonte primária de energia e o desenvolvimento de inovações específicas para os setores relevantes da região.

Estes setores relevantes podem ser identificados e priorizados, para o desenvolvimento de inovações renováveis, utilizando-se a metodologia de quociente locacional, desenvolvido por ISNARD (1960). Este método considera o número de empresas e o número de empregos de um setor e compara com a quantidade total de empresas e empregos da região.

Sendo os setores identificados e escolhidos, poderão ser direcionados esforços através de políticas públicas e investimentos privados para o estímulo à inovação e formação de competências essenciais para o desenvolvimento da bioenergia (CARMO e VANNALE, 2006).

Como tendência, as empresas deverão considerar este novo contexto para suprimento das necessidades da cadeia produtiva, com inovações desde uso e otimização das terras cultiváveis, passando pelo uso eficiente dos recursos energéticos, tratamentos dos efluentes em todos os processos produtivos, incluindo a criação de valores pelo uso de materiais recicláveis, renováveis e com baixos teores de carbono.

Vadson Bastos do Carmo – Consultor Sênior Sebrae-SP – Especialista em Engenharia da Qualidade; Especialista em Consultoria Empresarial; Mestre em Gerenciamento de Sistema de Informação; Mestre em Engenharia de Produção; Doutorando em Engenharia de Processos (UNICAMP) 


Ambiente Inovativo no Comércio
Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

Existe um ditado popular que diz: ”Quem tem competência se estabelece”, ou seja, para se abrir um negócio é preciso capital, pessoas e conhecimento do negócio. Hoje o conceito de competência se ampliou e significa, também, ousadia, iniciativa, empreendedorismo e capacidade inovativa. A sobrevivência e evolução das pequenas empresas do comércio passam por criar um ambiente inovativo, onde se instala o “Espírito da Inovação” que contamina a cultura da empresa e faz com que as inovações surjam de todos os lados – clientes, funcionários, fornecedores e a sociedade em geral.

No livro “A Estratégia do Oceano Azul”, os autores falam sobre a dinâmica dos mercados. Atualmente, a maioria das empresas encontra-se nos “Oceanos Vermelhos” da competição, onde são permanentes as estratégias desesperadas de sobrevivência – guerra de preços, concorrência desleal, condutas empresariais não éticas.

Os autores afirmam que só sobrevivem e se consolidam as empresas que conseguirem migrar para os “Oceanos Azuis” da competição, onde poucas empresas navegam tranquilas, com pouca ou nenhuma concorrência. Como conseguir isso?
Uma das possíveis alternativas é implantar estratégias inovadoras, fazer diferente, Inovar! Para isso, a empresa deve fazer da Inovação parte integrante da cultura de sua empresa. Mas afinal, o que é Inovação? Inovação é invenção? Inovação está diretamente associado com tecnologia? Qual o conceito de inovação que deve ser considerado para que a empresa saiba nortear seus esforços para criar um ambiente inovativo?

Segundo o Manual de Oslo (2008) “Inovação é a implantação de um novo produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional do local de trabalho ou nas relações externas”.

A definição do Manual de Oslo, que representa o consenso mundial sobre o tema Inovação, estende o conceito de inovação para toda a empresa comercial, já que trata inovação de produtos, processos de trabalho, estratégias de marketing e design de produtos e novos métodos de gestão organizacional.

O interessante é que o mesmo Manual considera a Inovação quanto à sua abrangência em três níveis: Mundial, quando a inovação é inédita, ou seja, nenhuma empresa ainda implantou a inovação no mundo; Mercado, quando a inovação é inédita no segmento ou cadeia produtiva da empresa, e Empresa, quando a inovação é inédita no âmbito da empresa.

Portanto, inovação é algo radicalmente novo que se implantado na empresa, mesmo não sendo inédito no mundo ou no segmento, traz impactos significativos em sua competitividade, traduzido em resultados: Faturamento, Margem de Lucro, Custos, Participação de Mercado, etc.

Portanto, trata-se de uma estratégia importante para se conseguir competitividade empresarial. Vemos que a concorrência está globalizada e para sobreviver e evoluir, a empresa comercial necessita cada vez mais desta capacidade inovativa.
Mesmo para uma pequena empresa comercial, com foco regional, a globalização se torna parte de sua rotina a partir do momento que um concorrente, em qualquer lugar, passa a disputar seus clientes em seu próprio mercado.

Diariamente vemos exemplos deste impacto quando lemos notícias de pequenos negócios comerciais sendo fechados porque não aguentaram a concorrência, por exemplo, de produtos asiáticos.

Mas como as empresas sabem que está na hora de mudar, de investir em inovação? Quando o desempenho atual está aquém da média de mercado;

• Sensível perda de clientes para a concorrência;
• Perdas significativas de participação de mercado;
• Obsolescência de produtos, processos e gestão.
Pesquisas indicam que as empresas comerciais inovam pouco, ou seja, somente uma pequena parte de seu faturamento médio advém de produtos inovadores. O que pode ser feito, então para melhorar este cenário?
Criar diretrizes, estratégias, sistemáticas, procedimentos e ferramentas da Inovação.
• Criar um grupo de pessoas para gerir este esforço da Inovação – Comitê da inovação.
• Criar canais para captar ideias sobre inovações junto a clientes, funcionários, fornecedores e a sociedade.
• Criar mecanismos para selecionar estas ideias, aproveitando as que oferecerem maior potencial de impacto na competitividade empresarial.
• Dispor de ferramentas de incentivo à inovação, tais como: criatividade, disseminação de informações, treinamento e atualização contínua e reconhecimento e recompensa;
• Criar sistemáticas para selecionar e acessar os recursos necessários para implementar as inovações;
• Criar estrutura de projeto para assegurar que a inovações serão implementadas;
• Monitorar, através de indicadores a implantação da inovação;
• Monitorar os impactos da inovação no faturamento, rentabilidade, participação no mercado, etc.

Enfim, a vantagem competitiva acontece por meio de uma estratégia diferenciada, de fazer o que seus concorrentes não fazem e que sua empresa possui todas as condições para inovar!

Fonte: (1) Manual de Oslo (2008); (2) A Estratégia do Oceano Azul, de Renée Mauborgne e W. Chan Kim, 2006, (3) Apontamentos diversos de minha autoria.


O Comércio na Internet e as Mídias Sociais

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

Assim como surgiu e cresceu de maneira extremamente rápida, com mais de mil sites operando em apenas 12 meses, o setor de compra coletiva no Brasil evolui em seu segundo ano de vida para um novo estágio marcado pela consolidação. A compra coletiva veio para ficar e este novo fenômeno pode ser aproveitado por milhares de pequenos negócios comerciais.

O Brasil vem se destacando no uso da Internet, de forma acelerada e incorporando parcelas significativas de sua população. Isto tem se refletido no volume do comércio eletrônico. Este novo mercado vem crescendo de forma exponencial e agregando novas fatias de consumidores como os jovens e os consumidores das classes “C” e “D”. Este novo mercado tem uma dinâmica que ainda nos é desconhecida, assim como as tendências.

Estudos e pesquisas mostram diariamente que as previsões tem falhado e “coisas” novas tem acontecido. Como surfar nesta onda? Como tirar proveito disso? Minha empresa está preparada para entrar neste novo mercado? Experiências recentes mostram que as melhores respostas a estas questões não são a pressa e a vontade de ganhar muito dinheiro e rapidamente.
Como em tudo na empresa, o primeiro passo é o planejamento, momento de fazer pesquisas exaustivas, estudos dos casos de sucesso e insucesso, consulta a especialistas, análise da situação atual da empresa, disponibilidade de capital, pessoal, estoque e logística de entrega.

Ouvimos sempre muitas histórias de empresa excelentes no comércio tradicional e que se deram mal nas incursões por este novo mercado.

Quase sempre as causas são as mesmas – pressa, ausência de planejamento e, principalmente falta de estrutura adequada para esta nova dinâmica – vendem muito e se atrapalham na hora de entregar e não sabem lidar com as reclamações dos clientes nas redes sociais!

Este novo mercado pode se configurar em um “Oceano Azul” de novas oportunidades de crescimento e aumento de competitividade, mas também pode se transformar em um “Oceano Vermelho”, onde estão os casos de insucesso.

Bom planejamento, incluindo a Inovação de produtos, processos, marketing e novos modelos de negócio, excelente execução, adequado monitoramento, elaboração de ajustes e aprendizado contínuo, podem fazer com que as pequenas empresas comerciais surfem nesta nova onda.

Fontes: (1) eCommerceOrg – (acesso em 22/9/2011); (2) apontamentos do autor.


O Impacto das Questões Tribuitárias no Comércio

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista


É comum nos depararmos com empresários do tipo “avestruz”, aqueles que preferem colocar seus cabeças em um buraco quando se deparam com problemas, desafios e obstáculos do mundo empresarial.
Preferem remeter estes assuntos ao contador, uma vez que é ele quem cuida destes assuntos fiscais, dos livros e demais chatices da burocracia governamental.


Todavia, este é um assunto inevitável, que aparece já na criação da empresa e, portanto, deve fazer parte do plano de negócios e acompanhar a gestão empresarial sempre. Por que os empresários “torcem o nariz”, quando se deparam com este tema? O que os impede de dedicarem algum tempo para seu entendimento, enquadramento e ações?

Muitas são as respostas, mas a maioria se concentra nas seguintes causas:
• Baixa capacitação dos empresários em gestão empresarial;
• Alta complexidade da legislação tributária.

Por isso o tema regime fiscal e tributação deve ser devidamente tratado nos planos de negócios. O tipo negócio, seu foco de atuação, região e logística de distribuição, são variáveis importantes que devem ser contempladas à luz das legislações tributária e fiscal.

Dadas as principais características e especificidades do negócio e respeitando as regras tributárias e fiscais vigentes, qual é o melhor regime fiscal: Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real? Qual a melhor estrutura para o negócio? Divisão das operações? Da distribuição? Manter filiais? Depósitos? Tudo isso deve ser analisado no plano de negócios e contemplado nas definições e escolhas dos regimes fiscais.

Estes cuidados recebem o nome de Planejamento Tributário, à medida que um erro nestas análises e decisões pode inviabilizar um negócio já no nascedouro.Muitos empresários pensam que manter o negócio 100% legal é loucura (ou burrice!).

Ora, uma atitude de planejamento do negócio é a de se verificar se ele se sustenta, se é lucrativo, apesar destes obstáculos tributários. Se a resposta for negativa ou muito duvidosa, o melhor a fazer é não abrir o negócio. Um fato que muitos ignoram é que não é a empresa que paga os impostos. Quem paga os impostos são os consumidores!

Claro, a empresa precisa alocar as despesas com os impostos na estrutura de gastos para formar o preço de venda. Hoje vivemos a estabilização monetária, o preço dos produtos é ditado pelo mercado; por isso “impor” um preço ao mercado está cada vez mais difícil. As empresas que “carregam” muito em suas estruturas de gastos e são limitadas a praticar os preços de mercado têm poucas margens de lucro. Fazer um bom planejamento tributário e pagar menos impostos, ajuda a aliviar a estrutura de gastos e a manter margens adequadas à alavancagem do negócio.

Outra questão importante é a manutenção de uma contabilidade completa. Muitos empresários ainda desconhecem que houve profundas mudanças nas regras contábeis e que todas as empresas estão sujeitas a elas, mesmo as pequenas organizações comerciais. É comum ouvirmos a explicação para a empresa não manter uma contabilidade completa – “O Contador disse que estamos no Simples e não precisamos manter uma contabilidade completa”.

A Receita Federal desobriga as empresas que estão no Simples ou no Lucro Presumido de manterem uma contabilidade completa. Ora, desobrigar não significa proibir. As vantagens e os benefícios de se manter uma contabilidade integral são inúmeros, ainda mais agora que as novas regras contábeis acabaram com a separação entre contabilidade fiscal e gerencial.

Portanto, a sustentabilidade do negócio passa, também por considerar estes aspectos de tributação, como variável estratégica na competitividade sistêmica e deve alimentar continuamente a gestão estratégica das empresas comerciais, no sentido de sobrevivência e evolução contínua.

Tendo rentabilidade e lucratividades adequadas, resultantes do planejamento tributário, será possível permitir o contínuo aperfeiçoamento, o acesso a novos mercados, novos clientes, a implantação de processos de trabalho mais racionais e eficientes, além de uma melhor maneira de trabalhar.

Enfim, permitir que a empresa consiga agregar mais valor no seu segmento ou cadeia produtiva e consiga evoluir para transformar seu ambiente organizacional em um ambiente inovativo.

Fonte: (1) Apontamentos diversos de minha autoria.


O dia em que minha empresa cresceu!

Por Reinaldo Miguel Messias - Consultor do Sebrae-SP

As entregas sempre atrasavam. Ora as encomendas eram maiores que a capacidade e tínhamos que comprometer parte do lucro com horas extras, ora os funcionários, por motivos pessoais, faltavam e acabavam sinalizando atrasos que só podiam ser evitados com mais horas extras. Comprar mais equipamentos começou a ser pensado, mas era uma decisão complicada por três razões:
· Mesmo com a empresa capitalizada, teríamos que financiar uma parte do capital para aquisição de máquinas. Assim, além de aumentar os custos administrativos com o desgaste e manutenção destes novos equipamentos, aumentaria também a responsabilidade financeira (endividamento) por termos contraído um financiamento.

· Comprar mais equipamentos significava também ampliar as instalações industriais. Seria preciso, no mínimo, alugar a casa ao lado e contratar mais funcionários para os novos equipamentos, além de um supervisor, pois o quadro ficaria maior. De novo, mais custos envolvidos!

· Nosso mercado era fortemente competitivo e marcado por forte concorrência em qualidade, inovação e preço. Tínhamos que ser flexíveis, ágeis e com custos sempre baixos.

Assim, se por um lado comprar mais equipamentos resolveria momentaneamente o problema do prazo de entrega, poderia estar gerando um novo problema: falta de competitividade.

Como resolver? Que tal passar a produção para fora da empresa? Pesquisou na internet "confecção" e notou que havia empresas que se dedicavam a isto!

Mensagem enviada:

“Estamos à procura de oficinas de costura para terceirização de parte de nossa coleção.
Somos uma empresa fabricante de pijamas para magazines. Procuramos oficinas de costura que nos ofereçam ótimas costureiras. Que se comprometam a entregar as peças nas datas estabelecidas. Sem falar na qualidade de pontos e acabamentos, que devem ser iguais aos das peças pilotos que acompanham a produção. As oficinas deverão ter experiência com meia malha em pv e pa."
A preocupação deste empresário era igual à sua. Prazo, qualidade e confiabilidade. Haveria alguma resposta? Sim, encontrou uma resposta bem significativa entre várias:

"A Boa Costura Confecções Ltda. é uma empresa que confecciona e presta serviços de oficina de costura, especializada em malharia, lingerie etc. Temos 8 máquinas: 1 galoneira, 1 bt-elastiqueira, 3 overloques, 2 retas e 1 zig-zag. Todas as máquinas são novas e de qualidade. Prestamos serviços de ótima qualidade e acabamento. Se houver interesse de vossa parte, favor entrar em contato dando mais informações e detalhes sobre o serviço que precisa. Estamos localizados entre os bairros do Brás e Belém – São Paulo, capital. Favor entrar em contato (nome, endereço, telefone, e-mail)".

Terceirização como solução

Percebeu então que a escolha de uma fonte terceirizada não ficava apenas no preço que permitia uma margem adequada para comercialização, mas também quanto aos procedimentos de qualidade e a importância da formalização de um contrato de entregas que garantisse tudo isso.

Assim sua empresa poderia até ficar maior por conseguir comercializar mais produtos no prazo, sem ter que investir dinheiro em máquinas. Notou que investir em gestão custava menos que investir em equipamentos e assim sua empresa realmente crescia e não ficava apenas maior.

Essa foi a saída escolhida. Hoje tem um rol de quatro empresas que lhe prestam serviços. Só não terceirizou a modelagem e o corte, pois isto era a "inteligência" da empresa e tinha que ficar em casa.

Se você também está passando por este momento de decisão, lembre-se que uma das virtudes que a terceirização traz é transformar custos fixos (da estrutura) em custos variáveis (da oportunidade), mas sem planejamento para qualidade e gestão isto nunca vai se traduzir nos resultados esperados.


O Design no Universo das MPEs

Por Ary Scapin - Consultor do Sebrae-SP

As Micro e Pequenas Empresas e seus desafios

O universo das micro e pequenas empresas no Brasil é bastante diversificado, possibilita um grande número de oportunidades a novos empresários e ocupa um lugar de destaque na economia do país. Ocorre, porém, que este universo é fragilizado em decorrência das razões que levam as pessoas a empreenderem, fato determinante para o sucesso dos negócios.

Empreender por necessidade é uma das grandes razões de pessoas se aventurarem no mundo dos negócios e isso, com algumas exceções, pode decorrer em empresas sem capital compatível com o porte do negócio, sem planejamento estratégico que direcione a competitividade dos empreendimentos e sem o devido preparo de seus proprietários, o que acarreta na morte prematura dos empreendimentos.

O cenário exposto acima é real, mas atualmente segue uma tendência positiva de reversão gradativa desse quadro com a mudança de postura de empresários frente à grande oferta no mercado de produtos e serviços específicos para torná-los aptos a enfrentar as exigências de um mercado composto por consumidores exigentes e conscientes de seus direitos. No papel de auxílio aos empresários está o SEBRAE que, com um corpo técnico qualificado e especializado, disponibiliza produtos e serviços com o intuito de ampliar o potencial de competitividade das micro e pequenas empresas, colaborando para que as empresas e seus proprietários se tornem profissionais capacitados e aptos a atuarem no mercado mundial, exigente e volátil, uma vez que devemos considerar as mudanças constantes no comportamento do consumidor.

Competitividade para a pequena e micro empresa, em um mundo globalizado, requer empenho do empresário no que tange a sua capacitação em gestão de negócios, em desenvolver um olhar crítico às oportunidades e em observar atentamente as tendências de consumo. Porém mais do que emprenho, este empresário necessita criar um diferencial competitivo que identifique a sua empresa como inovadora, criativa e ousada, disponibilizando produtos e serviços necessários e adequados às exigências do mercado e que chamem a atenção do consumidor frente à oferta de produtos e serviços advindos das médias e grandes empresas.

Os empresários de pequenas e micro empresas, sejam eles dos setores de comércio, indústria, serviços ou agronegócios, ao optarem pelo estabelecimento de estratégias de competitividade para seus negócios devem considerar um grande número de variantes inerentes ao processo de implantação dessas estratégias - planejamento, viabilidade, custos, recursos humanos, inovação tecnológica, questões ambientais, questões sociais, criatividade - são algumas destas variáveis. Design deve compor esta lista em função de sua crescente importância na relação entre produtos/serviços e o mercado, atuando como uma ferramenta de gestão de negócios. O design deixa de ser percebido apenas como uma intervenção estética e pontual, passando então a assumir a tarefa de lançar olhares atentos para o futuro, mapear tendências, propor o melhor aproveitamento de insumos, propor melhorias nos processos de planejamento e produção, além de propor um diálogo aberto com o consumidor, entendendo as suas necessidades e transformando-as em produtos e serviços desejados e esperados.

O Design como um processo de gestão

"Em inglês, a palavra design funciona como substantivo e também como verbo (circunstância que caracteriza muito bem o espírito da língua inglesa). Como substantivo significa, entre outras coisas, "propósito", "plano", "intenção", "meta", "esquema maligno", "conspiração", "forma", "estrutura básica", e todos esses outros significados estão relacionados à "astúcia" e a "fraude". Na situação de verbo - to design - significa, entre outras coisas, "tramar algo", "simular", "projetar", "esquematizar", "configurar, "proceder de modo estratégico".

Trabalhar com o conceito de que design refere-se ao processo projetual de um produto ou serviço e que, por conta disso, pode se configurar como uma importante ferramenta de gestão causa resistência e certo estranhamento frente à grande maioria dos empresários de micro e pequenas empresas. Por hábito, esses profissionais observam o design como algo supérfluo, de aparência e financeiramente inviável devido à percepção de altos custos de investimento, portanto longe de suas possibilidades de contratação para a inserção no processo produtivo das empresas.

O design ao ser observado com elevado grau de preconceito por parte dos empresários e entendido simplesmente como uma intervenção cara e pontual no final do ciclo de produção de produtos e serviços, perde o seu valor conceitual e deixa de desempenhar o seu efetivo papel de agente transformador de processos criativos e processos de produção.

Apesar de uma boa estética ou de um adequado projeto gráfico de comunicação de uma empresa contribuir para a exposição positiva de uma marca, de um produto ou serviço, o design ao entrar no final do ciclo de produção de um produto ou serviço, com uma intervenção especifica e pontual, deixa de contribuir positivamente ao longo do processo projetual, o que acarreta a falta de interação entre áreas de importante impacto neste processo tais como os estudos de tendência, criação, pesquisa & desenvolvimento, viabilidade, responsabilidade ambiental e social, produção, logística, marketing e comercialização.

Para que, de fato, o design possa desempenhar o papel de ferramenta de gestão estratégica nos processos produtivos das micro e pequenas empresas, há a necessidade de um trabalho de sensibilização e convencimento à classe empresarial. Trata-se de uma mudança de valores e percepções à dinâmica do mercado por parte dos empresários, de entidades que incentivam a competitividade, de entidades de apoio à inovação, pelo governo por meio de políticas públicas municipais, estaduais e federais e demais atores que compõem o universo de fomento às MPEs. Trata-se de um movimento comum a todos os envolvidos, onde cada ator tem a sua parcela de responsabilidade, tendo como base o desenvolvimento de conhecimentos específicos que possam ser amplificados, agrupados e transformados de forma co-criativa em benefício das MPEs.

O papel dos empresários de MPEs na economia nacional tem importante relevância frente às possibilidades de desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, criativos e diferenciados, exigências de um público consumidor, não mais centrado em uma localidade específica, mas diluído nos cinco continentes, acessados pela interatividade mundial e pela visibilidade proporcionada pela globalização. A ampliação do potencial de escoamento da produção depende de produtos produzidos localmente com apelo de consumo mundial.

O design deve passar a ser percebido pelo mundo corporativo como fator determinante na nova concepção de comunicação de valores, de identidade e até mesmo de usos e costumes. O on demand, a peça exclusiva produzida conforme a identificação, a necessidade e a vontade de consumidores, têm hoje, maior valor de mercado.

“Em mercados cada vez mais competitivos, vence quem consegue gerar uma identificação profunda entre o produto e seu usuário; e uma marca torna-se especialmente forte quando se confunde com a própria identidade e história do sujeito consumidor.”

O foco volta-se para o consumidor

A mudança deve começar com o redirecionamento do foco estratégico das empresas. Ao focar o consumidor, as MPEs passam a ter respostas de mercado reais, mais ágeis e atualizadas para sua produção, o que acarreta produtos projetados de acordo com as tendências de consumo.

É fato termos hoje oferta de produtos e serviços no mercado que se confundem com commodities, ou seja, produtos e serviços cada vez mais parecidos, que apresentam características semelhantes, que desempenham as mesmas funções e que se assemelham até mesmo com os custos de produção e valores de venda. A concorrência é acirrada e confunde o consumidor que não tem subsídios para escolher um produto em detrimento de outro. A compra se concretiza não por convicção do comprador na escolha do produto, mas sim pela disponibilidade, pela ocasião, por questões econômicas e até mesmo por questões ligadas ao desinteresse de escolha.

Ao observarmos o consumidor, teremos à nossa disposição sinais emitidos com freqüência sobre seus anseios, suas necessidades, seus interesses de consumo. A diversidade de perfis de consumidores é grande e será preciso preparar-se para entender os seus comportamentos para que possamos decifrá-los e transformá-los em produtos e serviços. Não caberá ao empresário a tarefa de decifrar sozinho esses códigos, porém caberá a ele a tarefa de criar um ambiente favorável em sua empresa que possibilite a inserção de ações inovadoras, criativas e inusitadas, favorecendo o processo projetual de seus produtos e serviços e colocando no mercado não mais um simples produto, mas sim um produto agregado de valores que são caros (importantes) ao consumidor.

A transversalidade do design nos processos projetuais de produtos e serviços amplifica o potencial analítico das diversas áreas envolvidas, facilitando o processo criativo e a interpretação dos sinais de consumo enviados pelos consumidores globais. O design permeia todo o processo de P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), com proposta de foco no consumidor, desenhando novas estratégias para as análises do consumo atual, do consumo latente e as oportunidades futuras de consumo , analisando e propondo adequações com foco nos interesses sócio e ambientais, promovendo a reavaliação dos custos, bem como o melhor aproveitamento de insumos, contribuindo para um melhor diálogo entre o produto e serviço com o público consumidor por meio da utilização de novas tecnologias, de inovação, de criatividade e de acessibilidade, com distribuição adequada e inteligente. Note que estamos falando de gestão, de produção, de sustentabilidade, de finanças, de marketing e de logística, setores distintos que podem e devem dialogar abertamente entre si, tendo no design o ponto de encontro de idéias e soluções.

O mundo das mercadorias e dos produtos deverá cada vez mais se confrontar com um novo protagonista de mercado: o consumidor autor – aquele que possui a inovação no sangue e no cérebro. Falar hoje de inovação significa dar ao design e à criatividade um papel que até pouco pertencia quase que exclusivamente à tecnologia e que assume uma importância central nas diferentes gerações.

O design, ao agregar aos produtos ou serviços de micro e pequenas empresas um diferencial competitivo, desenvolvido por uma estratégia de observação do consumidor, amplia o poder de interação entre o produtor e o usuário. Cabe à empresa o papel de saber decifrar as necessidades desse consumidor e transformá-las em produtos e serviços acessíveis e compatíveis com uma demanda exigente. O consumidor, ao ter a percepção de que suas necessidades estão sendo observadas, atendidas e/ou superadas, passa a ter maior identificação com a empresa, criando um elo de confiança, de respeito e comprometimento.
Trata-se de um passo para a fidelização do cliente, porém isso só se dará caso as empresas se empenhem no desenvolvimento constante de produtos e serviços criativos e inovadores, que sejam facilmente atualizados e, acima de tudo, que essas empresas desenvolvam e mantenham canais de comunicação muito próximo do consumidor, transmitindo a eles os princípios e valores da empresa, fatores primordiais de identificação e respeito.

Com a consciência de ser o design uma ferramenta de gestão que pode atuar de forma estratégica para a competitividade das empresas, os empresários de micro e pequenas empresas passam a ter um alto grau de competência para análise de mercado e visão de futuro, podendo transformar uma tímida gestão empresarial em uma gestão de negócios inovadora e competitiva, capaz de disputar espaço nos mais cobiçados mercados do mundo, concorrendo com produtos e serviços oriundos de diversas localidades do planeta e, ainda assim, ganhar a preferência de usuários.

Não se trata da simples interferência de um designer no processo projetual de um produto ou serviço que fará uma revolução inovadora e criativa em uma empresa. Como dito anteriormente, há a necessidade de uma mudança de postura profissional de empresários para que essa revolução se dê. Trata-se de um processo de desenvolvimento de produto ou serviço compartilhado entre os designers e profissionais com visão sistêmica, ou seja, profissionais que tenham conhecimento de todas as etapas de criação em função do conjunto. Um grupo interativo, comprometido e aberto ao novo e ao inusitado.

A importância da interação das competências inteligentes de todos os envolvidos (pesquisa, observação, criação, análise de pertinência, viabilidade projetual e financeira, estudos de marketing, estudos de compatibilidade com o portfólio, análise de material, melhores práticas, estudos de demanda, sustentabilidade, estudos de preço, estudos de mercado, logística de distribuição, entre outros) favorece o diálogo comum à elaboração de uma estratégia competitiva.

Cabe realçar que, em muitos casos, as micro e pequenas empresas não dispõem de uma equipe transdisciplinar para a elaboração de seus produtos e serviços. É quase uma constante encontrarmos empresas com um número reduzido de funcionários, sem um departamento de P&D e, até mesmo, sem equipes de planejamento e estudos de viabilidade para suas produções. Mesmo assim, é possível haver um diálogo entre as partes pertencentes ao processo projetual, uma vez que deverá haver ao menos um responsável pelo desenvolvimento do portfólio da empresa que tenha uma visão generalista sobre as variantes necessárias à produção. Esse responsável deverá ser o elo entre os interesses dos consumidores, os interesses das empresas e o diálogo entre prestadores de serviços e terceirizados que atuarão na concepção da idéia do produto ou serviço e sua viabilidade.

Conclusão

A introdução do design como um componente da gestão de negócios, não só amplia a competitividade das empresas em termos de visibilidade e compatibilidade com as exigências de mercado e conseqüente ampliação de venda, mas também provoca uma mudança comportamental brusca entre os responsáveis pelo desenvolvimento de produtos e serviços. A partir de então, as empresas passam de um ambiente organizacional tradicional e pouco capaz de observar o entorno de seu campo de atuação, para um ambiente inovador, necessariamente descontraído e criativo, com informações fluindo livremente, criando novas oportunidades de relacionamentos corporativos. A interatividade neste novo ambiente é o ponto de conexão (hub) das mais diversas maneiras de incentivar o processo criativo.

Pensar diferente. Esta é a proposta de uma gestão que utiliza a ferramenta do design como orientação. Uma gestão voltada para a inovação e para a criatividade e, para pensar diferente, há a necessidade de se disponibilizar para o novo, para a descontração, para uma despojada forma de observação do comportamento humano, para a falta de compromisso com a ordenação das idéias, para a livre troca de percepções dos acontecimentos mundiais, para o navegar despojadamente entre as redes sociais, enfim, é transitar livremente no universo do imponderável, porém com o intuito de gerar energia positiva para a criação e desenvolvimento de produtos e serviços desejados e demandados por usuários exigentes, conscientes de seus direitos e deveres como cidadãos, interessados na satisfação de suas necessidades, com o propósito de bem viver, de desfrutar o melhor da vida, seja no simples ato de degustação de um café expresso tirado com a competência de um profissional especializado, seja na compra de um sofisticado produtos tecnológico de interatividade mundial.

Credito aos empresários de micro e pequenas empresas a responsabilidade pela ousadia de provocar um novo modelo de negócio, fugindo do modelo tradicional estabelecido pelas grandes e médias empresas. Um modelo moderno, contemporâneo, que busque alternativas de comunicação com o público-alvo, que produza o produto ou serviços corretos e necessários, que viabilize uma distribuição eficiente e atenda as necessidades dos consumidores, bem como as próprias necessidades de lucratividade de suas empresas.

O conceito de design propõe a participação efetiva do usuário no processo criativo das empresas, criando um ambiente arejado e propício à inovação. Propõe ainda a formação de equipes motivadas e abertas para a absorção de sinais advindos do comportamento humano, cujo resultado poderá ser observado como um diferencial competitivo, destacando produtos e serviços aptos a concorrer em condições de especial destaque em mercados de todo o mundo.

Assista o Video
Na Feira do Empreendedor realizada no ano passado, o Sebrae-SP criou um espaço específico destinado à Inovação. Oferecer instrumentos para que o empreendedor possa encontrar um ambiente mais favorável à inovação é um dos objetivos do Sebrae-SP.

Referências:
DENIS, Rafael Cardoso. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgard Blücher, 2008
FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2008
LOCKWOOD, Thomas; WALTON, Tomas. Building Design Strategy: using design to achieve key business objectives. New York, Allworth Press, 2008
MORACE, Francesco. Consumo Autoral – as gerações como empresas criativas. São Paulo: Estação da Letras e Cores Editora Ltda, 2009


O ambiente Inovativo nos Serviços

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

No segmento das empresas prestadoras de serviço ainda é comum o sentimento de que “esta onda que está por aí” e que vem causando enormes transtornos com concorrência de empresa estrangeiras só diz respeito às empresas industriais e comerciais; o setor de serviços “passa ao largo disso”.

Ledo engano. A Petrobrás, por exemplo, tem requerido, cada vez mais, o concurso de empresas estrangeiras de prestação de serviços, com competências técnicas na cadeia de Petróleo, Energia e Gás. Isso acontece porque o mercado brasileiro não consegue suprir as necessidades desta empresa. Várias empresas prestadoras de serviço, fortemente concentradas em operações baseadas em tecnologias avançadas e plataformas web, já operam fisicamente distantes do território nacional. Vejam as empresas de “Call Center” e os prestadores de serviços de desenvolvimento de softwares.

Com base neste cenário, em que medida as empresas de serviço, de um modo geral, são afetadas em sua competitividade? Correm riscos competitivos estratégicos? Como agir? A sobrevivência e evolução das pequenas empresas de serviços passam pela criação de um ambiente inovativo, onde se instala o “Espírito da Inovação” que contamina a cultura da empresa e faz com que as inovações surjam de todos os lados – clientes, funcionários, fornecedores e a sociedade em geral.

A palavra-chave aqui é a Prevenção, é agir pro ativamente e sair na frente da concorrência, com serviços, processos, estratégias de marketing e modelos de gestão radicalmente novos e que agreguem muito valor para os clientes. Não agir desta forma é atuar na Correção, estratégia popularmente conhecida como “Correr atrás do prejuízo”. Portanto a Inovação se apresenta hoje para as pequenas empresas de serviço como uma estratégia importante para conseguir melhorar seus níveis de competitividade no mundo corporativo.

Quais são os sinais que indicam que é chegada a hora de mudar? Vários, como: perdas crescentes de clientes, desempenho financeiro medíocre, tecnologia mais cara, obsoleta, etc.. Pesquisas indicam que as empresas de serviço inovam pouco, ou seja, somente uma pequena parte de seu faturamento médio advém de serviços inovadores. O que pode ser feito, então para melhorar este cenário?

Criar diretrizes, estratégias, sistemáticas, procedimentos e ferramentas da Inovação.

• Criar um grupo de pessoas para gerir este esforço da Inovação – Comitê da inovação.
• Criar canais para captar ideias sobre inovações junto a clientes, funcionários, fornecedores e a sociedade
• Criar mecanismos para selecionar estas ideias, aproveitando as que oferecerem maior potencial de impacto na competitividade empresarial.
• Dispor de ferramentas de incentivo à inovação, tais como: criatividade, disseminação de informações, treinamento e atualização contínua e reconhecimento e recompensa.
• Criar sistemáticas para selecionar e acessar os recursos necessários para implementar as inovações.
• Criar estrutura de projeto para assegurar que as inovações serão implementadas.
• Monitorar, através de indicadores, a implantação da inovação.
• Monitorar os impactos da inovação no faturamento, rentabilidade, participação no mercado, etc.

Mas afinal, o que é Inovação? Inovação é invenção? Inovação está diretamente associado com tecnologia? Qual o conceito de inovação que deve ser considerado para que a empresa saiba nortear seus esforços para criar um ambiente inovativo?

Segundo o Manual de Oslo” (2008) “Inovação é a implantação de um novo produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional do local de trabalho ou nas relações externas”.

Portanto, inovação é algo radicalmente novo que se implantado na empresa, mesmo não sendo inédito no mundo ou no segmento, traz impactossignificativos em sua com petitividade, traduzido em resultados: faturamento, margem de lucro, custos, participação de mercado, etc.

Uma empresa prestadora de serviços de São Paulo, cujo foco de atuação é o atendimento de alunos que necessitem de reforço escolar, descobriu um estratégia inovadora de marketing ao identificar as “Coordenadoras Pedagógicas” dos colégios particulares como clientes importantes e com necessidades específicas, diferentes dos clientes tradicionais - pais e mães de alunos com fraco desempenho escolar.

Pois bem, após um projeto - piloto em um dos colégios de São Paulo, esta empresa ampliou o leque de atuação e hoje a quantidade e o faturamento apresentado por novos alunos que chegam mensalmente já representa 40% do seu faturamento! Bem, como dizia o compositor Geraldo Vandré, ”Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”

Fonte: (1) Manual de Oslo (2008); (2) Apontamentos diversos de minha autoria


A Terceirização de Serviços e a CLT

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista

Como vemos e lemos diariamente, é tendência mundial a terceirização de serviços nas organizações, sejam eles quais forem. Terceiriza-se segurança, limpeza, transporte de funcionários, logística, a escrituração contábil e fiscal, o departamento de pessoal, a auditoria interna, a guarda dos documentos, etc. O objetivo é que qualquer serviço que não esteja diretamente ligado à atividade principal da empresa seja repassado a terceiros.

O Contexto
Existem grandes empresas que terceirizaram toda a administração, incluindo a área de faturamento, de cobrança e até o financeiro. Em relação à contabilidade e aos serviços afins, tais como a escrituração fiscal e departamento de pessoal, a terceirização já é uma prática consagrada.

Este processo pode ser aplicado em todas as áreas da organização definidas como “atividade-meio”, ou seja, aquelas em que não há participação direta dos empregados terceirizados na formação do produto ou serviço final. Como exemplos: terceirização da segurança, contabilidade e limpeza. A CLT entende por atividade-fim aquela ligada diretamente ao seu objeto social; portanto, é considerada ilegal a terceirização ligada diretamente ao produto ou serviço final, ou seja, à atividade-fim. Excetuando-se a atividade-fim, todas as demais podem ser legalmente terceirizadas.

Hoje existe claramente uma tendência no mercado de trabalho, caracterizada pelos chamados “Trabalhadores do Conhecimento”, profissionais especialistas e altamente competentes em áreas específicas. Pois bem, contratar estes profissionais como funcionários custa caro para as empresas, já que na maior parte das vezes, eles satisfazem necessidades específicas e pontuais. A Economia moderna necessitará cada vez mais destes profissionais, que devem se organizar em empresas prestadoras de serviços, para poderem estabelecer relações adequadas com suas empresas clientes.

Há muito a sociedade organizada vem discutindo a urgência da reforma da legislação trabalhista e de como ela vem impactando o capital e o trabalho.

Mas enquanto a reforma não é feita, como as empresas devem agir, principalmente as pequenas empresas prestadoras de serviços, de forma terceirizada? Como enfrentar este obstáculo da competitividade sistêmica? Bem, vários são os cuidados. E aqui vão alguns alertas às empresas de serviço, ao serem contratadas pelas corporações:

1. Certifique-se de que as necessidades a serem satisfeitas pelo seu trabalho não são de natureza idêntica à atividade-fim da empresa contratante;
2. Faça um bom contrato de trabalho, detalhando adequadamente o objeto e a natureza da prestação de serviços; bem como as especificações, soluções, frequência, duração, subordinação hierárquica e outros;
3. Diversifique a carteira de clientes; depender de um só cliente é estrategicamente ruim e juridicamente arriscado;
4. Trabalhe sempre com uma equipe mínima; depender só do seu trabalho como especialista condena-o a uma limitante perigosa (afinal o dia só tem 24 horas e o ano 12 meses), empurrando-o para uma armadilha trabalhista nefasta.
5. Ao terminar um trabalho sempre obtenha da empresa-cliente uma declaração de término dos serviços, bem como um Atestado de Capacidade Técnica, para agregar em seu “Portfólio”;
6. Busque sempre o aprimoramento profissional, participando de fóruns, congressos, feiras de negócios, pesquisas na internet, cursos, etc.
7. Crie e mantenha um ambiente inovativo em sua empresa, incentivando clientes, equipe, fornecedores e outros a colaborarem com sugestões de ideias que podem tornar-se inovações que impactem, de forma significativa, o seu negócio.

Estes cuidados farão com que a pequena empresa de serviços continue competitiva, sobreviva e evolua, sempre.

Fonte: (1) Apontamentos pessoais do autor.


Trabalho em Rede, Inovação e Competitividade em Serviços

Por Luiz Antonio Gentile Jr. - Economista


A competitividade moderna não decorre apenas dos clássicos fatores de tecnologia embutida no produto, na forma mais econômica de produzí-los ou de distribuí-los, mas de um conjunto muito mais abrangente de variáveis. Alguns estão embutidos e permeiam toda a empresa, outros são externos a ela, mas acessíveis indiretamente, por meio dos relacionamentos da empresa com o cliente, com fornecedores e apoiadores e com o meio social circundante. O principal fator, considerado o motor da competitividade, é a inovação.

A inovação tem permitido não apenas satisfazer aos critérios clássicos de competitividade, mas de superá-los a ponto de tornar-se o fator primordial da competitividade moderna.

Inovação - Motor da competitividade moderna em serviços

Cada vez mais a competitividade abandona os clássicos conceitos de eficiência e se apoia em novos conceitos incluindo serviços inovativos, novas formas de realizar os serviços e transacionar com os clientes. Isto pode significar, dentre outras coisas, criar:

Novos serviços

• Novas formas de utilização de prestação dos serviços
• Novas formas de desenvolver os serviços, incluindo a participação dos clientes.
• Novas maneiras de comercializar e cobrar pelos serviços oferecidos.
No setor dos serviços, onde a ação do elemento humano é mais determinante para a percepção dos resultados da prestação do serviço, a competição é extremamente acirrada e, consequentemente, ficam ainda mais patentes: A necessidade da inovação como um processo contínuo e ininterrupto;
• A necessidade de responder no menor tempo possível às necessidades dos clientes finais e dos parceiros da cadeia produtiva • A dependência do engajamento de todos os colaboradores internos, externos e dos próprios clientes para o sucesso do processo da inovação que lhe beneficiará;
• A necessidade de atualização e aprendizagem contínua das pessoas;
• A necessidade da valorização e retenção dos talentos da empresa.

Aliado à inovação há outro fator importantíssimo: o tempo. Mas será que pequena empresa de serviços tem espaço? Vai sobreviver?

Dará tempo de aprender a ser mais competitiva? Uma solução para as MPEs prestadoras de serviços – O trabalho em redes.
O que são redes? Uma rede é uma teia constituída por um conjunto de nós e de elos que os interligam. Cada nó pode ser constituído tanto por uma empresa como por um único indivíduo especializado. A rede se forma justamente porque nenhum nó consegue preencher sozinho suas necessidades em isolamento dos demais. O que resulta é uma interdependência entre os nós para objetivos de maior alcance para todos. A rede é tão mais robusta quanto maior o grau de autonomia dos nós.

Diferentemente das burocracias que buscam juntar as partes, por meio de controle centralizado e maximizar a dependência das partes ao todo, as redes juntam as partes sob o enfoque da cooperação descentralizada e minimizam sua dependência do todo.
O que se ganha com o trabalho em rede?

Especialização - aumento da especialização e da qualidade dos serviços oferecidos sem a obrigatoriedade de verticalização da empresa. Cada nó pode se especializar em nichos de prestação de serviços altamente competitivos.

• Velocidade - diminuição dos tempos de atendimento dos serviços prestados, tendo em vista que cada nó pode ser especialista
em uma etapa do serviço prestado.
• Alcance - aumento da base de clientes para toda a rede, tendo em vista que serviços diferenciados e mais completos podem ser oferecidos.
• Território - aumento da área coberta pela prestação de serviços aos consumidores.
• Benefício mútuo - Quando um nó investe e se aprimora, todos os demais na rede se beneficiam disso com custo zero de investimento.

O que é trabalhar em rede? Para a pequena empresa de serviços é uma estratégia poderosa para a consecução de objetivos de competitividade através da inovação. Em contrapartida, a operação em rede exige a aprendizagem de métodos de gestão mais sofisticados. As empresas são os nós, mas para a rede se completar faltam os elos.

Assim é necessário o estabelecimento de fóruns, reuniões e de meios para a divulgação de informações aos nós da rede, para que a visibilidade para todos os participantes da rede possa ser estabelecida.

Alguns exemplos de trabalho em rede, envolvendo pequenas empresas de serviço: Franquias de Serviço, Empresas desenvolvedoras de Softwares, Empresas de Consultoria Empresarial.

Fontes: (1) Lipnack, J. e Stamps, J. - “Networks: Redes de conexões - Pessoas Conectando-se com Pessoas” - Editora Aquariana, São Paulo, 1992; (2) Weil, P. - “Organizações e Tecnologias para o Terceiro Milênio - A Nova Cultura Organizacional Holística” - Editora Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, 1991. (3) Apontamentos pessoais do autor